Anos de 1970: quando tudo começou
Por Marcus Rezende Vivemos no taekwondo brasileiro, desde a época em que a modalidade chegou por essas terras, a síndrome do esquecimento e do não registro histórico dos passos dados pelos personagens que ajudaram a construir o taekwondo brasileiro, e de como a modalidade se desenvolveu por meio da didática implementada pelos mestres coreanos que aqui chegaram já no final dos anos de 1960, mas oficializada mesmo com o desembarque de Sang Min Cho em São Paulo no ano de 1970. Além disso, os métodos de treinamento sobretudo nos primeiros anos de 1970. Quando Woo Jae Lee e Jung Roul Kim, e, um pouco mais tarde, Yong Min Kim puseram seus pés no Rio de Janeiro, a base didática primava, no que concerne a letalidade das técnicas ensinadas, por uma filosofia cuja síntese era a de “um golpe acaba…”, dizia Jung Roul Kim, quando ensinava em sua Kim Taekwondo Clube na Rua da Carioca, 54, no Centro do Rio. Tranzendo a cena histórica para o Rio de Janeiro, era com essa premissa que se treinava, tanto marcialmente como competitivamente. Os campeonatos internacionais já haviam começado mundo afora, mas, por aqui, para o praticante competir, os mestres coreanos precisavam organizar os eventos estaduais e nacionais. Enquanto isso, dentro das academias, durante as aulas, mesmo com a proximidade de tais eventos ios mestres coreanos mantinham o mesmo tipo de treinamento. Eram escoras em yop tchagui com a busca de complementos técnicos como kulo yop tchagui e saltos para cima do adversário. A busca por acertar o rosto, por exemplo, era uma meta constante. O tolho tchagui com a perna da frente era preciso. Havia quem, já naquela época, se antecipasse ao primeiro tempo do adversário, com dois ou três tolho tchaguis seguidos no rosto, com a perna da frente. Técnicas como nério tchagui e mondolho tchagui, eram sistematicamente treinadas, para que o calcanhar fosse o ponto ao impacto. A altura alcançada nos contra-ataques com o Tui tchagui chamava a atenção. Outra técnica que se fazia presente era o o tio mondolho pakkat tchagui, sobretudo quando o clinche ocorria. Os anos de 1970 foi formado por lutadores como Rodney Américo, Flávio Molina, Luís César, Reinaldo Evangelista (o Pelé), Hélio de Melo, André Maurício, Edson Bernardes, entre outras. A representação dos que ensinavam, mas não eram afeitos às competições, vou destacar representativamente com quatro nomes do Rio de Janeiro. João Henrique Sobrinho, José Antônio da Silva e Márcio Monnerat. Rodney Américo Um dos mais valentes lutadores. Imbatível na categoria peso-pesado. Foi o primeiro faixa preta do Rio de Janeiro, do mestre Woo Jae Lee. Foi uma das maiores referências aos mais novos. Flávio Molina Nunca perdeu um combate. Parava o público na hora de suas lutas. Seu Nerio tchagui era um raio preciso. Competiu até 1981. Depois formou fileira ao grupo que difundiu o Muay Thai no Rio de Janeiro. Era Policial Civil e morreu em 1998, aos 42 anos enquanto fazia uma filmagem para o Fantástico, demonstrando como realizar salvamentos com helicóptero. A corda se rompeu e ele caiu no penhasco. Luis César Aluno do mestre Jung Roul Kim. Incontestavelmente o mais técnico do grupo do mestre Jung Roul Kim. Sua velocidade com a perna da frente era espantosa. Foi fonte de inspiração dos mais novos da Rua da Carioca 54. Reinaldo Evangelista Pelé, como era conhecido, tinha uma técnica fabulosa. Bloqueava os chutes como ninguém. Competiu até depois dos 40 anos. Foi um grande motivador dos atletas mais novos, que viam em sua vitalidade e vontade de treinar e vencer, uma motivação. No Brasileiro de 1979, lutou na categoria meio pesado. Ele fez a final com um aluno do mestre Jung Roul Kim, Luis Otávio. A luta foi para a prorrogação, mas os árbitros de mesa decidiram pela vitória do adversário. Hélio de Melo Sabe aquele cara silencioso, discreto, misterioso e bem na dele? Era o Hélio de Melo nas competições. Mas isso até a luta começar e a variedade de técnicas começarem a deixar os adversários confusos e submissos à técnica impecável dessa fera. Edson Bernardes Atleta do Rio Grande do Sul, aluno do mestre Young Man Kim. Depois da morte de seu mestre em um acidente de automóvel, em 1980, passou a treinar com o mestre Te Bo Lee. Edson (já falecido) era um lutador de técnica ímpar, a leveza de sua perna esquerda associada à potencia e precisão do seu mondolho tchagui, resultavam quase sempre em nocaute. André Maurício Era simplesmente fantástico ver esse atleta de Brasília lutar. Uma máquina de bater. Protagonizou no Brasileiro de 1979 uma luta épica contra Flávio Molina. Foram 4 rounds de 3 minutos, com decisão a favor de Molina, depois de muito debate entre os árbitros de mesa. João Henrique Sobrinho Tenho pra mim que foi o professor que melhor soube repassar os ensinamentos do mestre Woo Jae Lee a seus alunos. A profusão de bons atletas, entre eles Hélio de Melo, faz desse ícone do taekwondo brasileiro um dos melhores formadores de professores e atletas. Uma salva de palmas pra João Henrique. José Antônio da Silva Silva, como era chamado, até se tornar mestre Silva, preencheu todo o espaço de uma das maiores cidades do Estado do Rio de Janeiro: São Gonçalo. Seu trabalho começou na segunda metade dos anos de 1970. Seus alunos passaram a ensinar por toda a região, difundido o taekwondo por outros municípios vizinhos. Aluno de GM Jung Roul Kim, sempre primou por estudar profundamente o taekwondo. Formou muitos faixas pretas, contribuindo silenciosamente pelo desenvolvimento da modalidade. Ivan Varela Símbolo da Associação que leva o seu nome. Varela era formador de professores. Muito conhecido na Zona Norte, subúrbio do Rio e Baixada Fluminense. Formou diversos faixas-pretas, e teve contribuição significativa para o fomento da modalidade. Foi professor de José Antônio da Silva até o 2º Gub, quando passou a treinar com o mestre Jung Roul Kim, com quem pegou a faixa-preta. Marcio Monnerat Já em 1977, mesmo não sendo faixa preta, iniciava o ensino do Taekwondo